domingo, 23 de junho de 2013

Uma visão das atuais manifestações por uma leiga no meio de tudo isso.

As utopias são encantadoras, mas considerando o fato de que é frustrante tentar sempre alcançar o inalcançável, faz-se necessário dividir o caminho da utopia em degraus. Cada degrau alcançado deve ser comemorado, mas com a lembrança que ele é apenas mais um de uma longa escada.

É assim que eu vejo os protestos populares que tiveram início recentemente no país. 


De um lado, uma parcela apática e que adora criticar da população brasileira, que banaliza os degraus, como se fosse possível chegar ao final da escada sem passar por eles. Essa parcela banaliza as causas dos protestos ou critica a forma que os protestos estão ocorrendo. É o famoso discurso do: "Mas tudo isso por apenas 0,20 centavos de aumento?". Seguido deste argumento pobre, esta parcela também possui argumentos válidos, tais como: 1) A ausência de uma liderança clara nos protestos; 2) O enorme número de reivindicações ao mesmo tempo; 3) A violência e depredação do patrimônio público causada nos protestos. O problema desta parcela é que as atitudes/opiniões e críticas dela não se propõem a melhorar o país. Ao contrário, só criticam os que almejam melhorar o país de alguma forma. É bem verdade que apenas boas intenções não costumam mudar as coisas, mas, em um país onde os desvios éticos da população e de seus representantes são os maiores causadores de graves problemas sociais, boas intenções são um ótimo começo.


Do outro lado, o intitulado Gigante, recém-acordado, que tem ido às ruas do país, finalmente. O problema de quem nunca reclama, é que a pessoa acumula reclamações e uma hora explode (isso é praticamente conhecimento empírico), e é esse o maior problema deste Gigante. Um Gigante de boas intenções, que tem muito trabalho de organização para fazer para atingir seus reais objetivos. A redução dos 0,20 centavos da tarifa foi uma tentativa de sonífero para o tal Gigante, que começou a incomodar fortemente alguns governantes. Essa vitória, como mencionado anteriormente, é um degrau a ser comemorado, mas não deve jamais ser entendido como último degrau da escada. Felizmente, mesmo tendo alcançado seu primeiro objetivo, o gigante não se calou, ele realmente não está disposto a voltar a ser mudo. Isso é ótimo, mas não apenas de um dos sentidos pode viver o gigante se quiser conseguir o que almeja. Com isto me refiro às enormes possibilidades do gigante se tornar surdo. Atualmente, ele já tem uma audição bastante limitada pelo radicalismo de alguns dos manifestantes. Se persistir em não escutar as críticas que lhes são feitas, a surdez certamente constará no seu registro de óbito como causa da morte.


É um gigante forte, sem dúvidas, mas é também muito imaturo e desorganizado. É aquele personagem do filme pelo qual torcemos e que sabemos que tem capacidade de vencer ( = atingir seus objetivos) ao final, mas que também sabemos que precisará de enorme dedicação/treinamento/organização para enfrentar o que lhe espera. É um Daniel-San que tem que escutar bem o seu Mr. Miyagui. Mas, além de tudo, nesse caso, é também o único capaz de vencer o "vilão". Por isso, ainda com seus defeitos, torcer por ele ainda me parece a postura mais correta.

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