Ele sempre foi de uma imprevisibilidade cruel e apaixonante. Era absurdamente charmoso e, o pior, tinha tanta cultura e inteligência quanto charme, o que, no final das contas, é a combinação letal pro coração (no sentido metafórico e mais romântico da palavra) de qualquer garota (ou, ao menos, pro meu, foi). É claro que eu sofri, que nossos gênios fortes geraram brigas intermináveis, intermináveis porque além de orgulhosos, os dois membros da briga eram excelentes argumentadores. Ah, os advogados, irresistíveis e, ao mesmo tempo impossíveis de se aguentar. Perdi a conta de quantas sessões de terapia gastei falando dele. O relacionamento, em sua fase séria, não durou quase nada, mas o que eu aprendi com ele tá cravado em mim até hoje, intelectualmente e afetivamente. Aprendi com ele muito sobre mim, aprendi com ele muito sobre o mundo, aprendi com ele que eu nunca aprenderia o suficiente pra domar ele. Mas, nossa, que carinho enorme me restou por aquele gênio indomável. Você sabe quão especial uma pessoa é, quando mesmo após um término tumultuado e doloroso, você não consegue evitar em sentir um enorme carinho por ela. E, de vez em quando, ele vem a minha lembrança porque eu fico tentando imaginar o que ele me diria em determinados momentos. É bem verdade que ele não estava preocupado se ia ou não me machucar com as suas opiniões, o que eu acreditava detestar, até descobrir que foi por aquela sinceridade inconsequente que eu tinha me apaixonado. Espero que ele esteja feliz e, que eu tenha feito ao menos metade da diferença que ele fez na minha vida, na dele.
Talvez seja nesse quesito que os relacionamentos se tornem eternos, nas lembranças dos que foram um dia apaixonados.
São Paulo, 05 de abril de 2013.
São Paulo, 05 de abril de 2013.
Tive um relacionamento assim, só que o meu durou apenas 1 dia e meio, como no filme Before Sunrise (ou Antes do Amanhecer), tempo insuficiente para que pudesse virar tema de conversa no divã do terapeuta, mas tempo suficiente para mudar meu modo de ver, pensar e sentir para sempre. Anos se passaram, mas as músicas que escutamos, as conversas que tivemos e as questões em que discordamos estão comigo até hoje, penso que relações intelectuais, em que há troca e compartilhamento de intelecto são mais memoráveis do que relações estritamente passionais, pois esquece-se beijos, abraços e amassos, mas aquele pôr-do-sol ao som de Let it Be entre beijos e conjecturas sobre os mistérios do universo é inesquecível, whisper words of wisdom... let it be...
ResponderExcluirA.