Me despeço rápida e friamente, num falso desapego, mas, na verdade, o que eu tenho é medo, medo que você ouça os suplícios dentro de mim te dizendo: fica, não tem graça sem você.
Não omito meu amor por maldade, mas porque sou um produto de uma geração de covardes, que ensina que você só vai se apegar a mim, se eu me mostrar desapegada de você. Você, que é tão especial, que tem o poder de fazer uma pseudo-revolucionária prestar obediência, sem qualquer questionamento, à manuais afetivos criados pela sociedade sem sequer um fundamento lógico, porque neles há a promessa do seu afeto, ao final.
E como nosso possível futuro apego parece se enquadrar perfeitamente nas minhas lacunas afetivas, eu seguro, seguro todas as declarações de amor e de carinho que há algum tempo te pertencem e que se rebelam dentro de mim sedentas pelos teus ouvidos.
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